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A transformação da maternidade

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É como se a natureza avisasse: se prepare, é tempo de transformação.
Aos pouquinhos o corpo vai perdendo seu contorno habitual e é divino perceber que uma vida é gerada dentro de nós. Eu desconheço doação mais linda. A gente deixa de se perceber no singular porque daquele momento em diante a vida só parece ter sentido no plural.
Durante nove meses, nos fazemos morada e não medimos esforços pra que a estadia seja perfeita. Alimentação balanceada, yoga para acalmar a mente, música clássica para formar os ouvidos, poesia em voz alta pra atrair bons versos e prosas...e sonhos, muitos sonhos! A entrega é absurdamente completa.
Na sala de parto, a gente até recebe nosso corpo de volta, mas o coração, ah, esse nunca mais é só nosso. Ter um filho nos braços é ao mesmo tempo fortaleza e fragilidade. Naquela fração de segundos que dura o primeiro olhar passamos a ter a absoluta certeza de que superaremos os mais improváveis obstáculos para garantir que nunca falte amparo ao nosso filho. Na fração de segundos seguinte temos o coração invadido por um medo sem precedentes de perder aquele amor que se materializou. Perdemos o compasso próprio do coração.  
Eu costumo dizer que a mãe é parida de mãos dadas com o bebê. Naquele momento estamos tão assustadas quanto o neném que chora. É o início de uma caminhada de permanente aprendizado. Sim, ensinamos nossos filhos a andar, mas tropeçamos tanto! Ensinamos as primeiras palavras, mas quantas vezes ficamos sem saber a melhor forma de conjugar o verbo educar?  
A travessia é longa, por vezes difícil, mas como cada passo compensa! Eu não me sinto mais senhora absoluta dos meus passos e a minha caminhada precisou mudar de ritmo. Mas quanto privilégio poder redescobrir a infância! Brincar de roda, cantarolar cantigas de ninar, comer brigadeiro no meio da tarde, pular o muro do vizinho pra pegar a bola, andar descalça na terra, inventar esconderijos no esconde-esconde.  Que delícia testemunhar descobertas, compartilhar incertezas, ser aconchego, ter o poder de um beijo que cura.
Eu nasci como mãe há quase dez anos. Errei, acertei, errei de novo e devo ter errado outras tantas vezes antes de conseguir mais um acerto. Assim sigo. Transformada e me transformando. Descobrindo que aquele amor que parecia infinito na sala de parto, na verdade, vai além do infinito. Bem além. Até hoje me emociono quando escuto ‘mamãe’. Sou eu! Mamãe! Venha, filho. A trilha é longa e ainda tem muito a nos ensinar.
 
Foto: Cacá Lanari

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