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Amor de Mãe

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“Depois de ignorar o conselho (bem intencionado) de muitos amigos queridos que me pediam pra parar de procurar explicação, descobri o que o Theo tem. Theo tem uma doença genética rara. Atinge um em cada 150 mil bebês. ‘Loteria existe’, pensei ao ouvir os médicos. Sim. Fomos escolhidos. Olhando a estrutura de cromossomos dele à distância está tudo bem. Não sobra. Não falta. Tudo inteiro. Bem feitinho. Por isso, o teste do pezinho não revelou nada. Ainda bem. Aos cinco dias de vida dele eu ainda merecia sonhar. Com exames refinados, os geneticistas abriram aquelas 46 casas, ou os 46 cromossomos. Na casinha de número 19, como em todas, há vários armários. Também está tudo bem com eles. Então, eles abriram as gavetinhas. E lá estava o segredo. Num cantinho do cantinho. No cromossomo 19, um dos genes veio com defeito de fábrica. Eu e o pai contribuímos igualmente pra isso, já que o gene é recessivo. Uma coincidência daquelas. Duas heranças genéticas potencialmente negativas se encontraram. Com esse tipo de ‘erro inato do metabolismo’ Theo não metaboliza ou não metaboliza bem as proteínas. Por isso, há um acúmulo, desde a concepção, de toxinas no cérebro dele, que provocam a lesão que ele tem. Que por sua vez provoca o descontrole motor e a hipotonia muscular no corpinho dele...”
Foi assim que Larissa, uma irmã que nesta vida veio em forma de amiga, contou o que Theo tem. Eu estou entre as amigas que falavam: “aceita!”, “questionar tanto não vai mudar a realidade”, “você precisa ter resignação” .... Como resposta, tive silêncios e soluços. Eu já devia saber que coração de mãe não se acalma.  
A busca incansável pelas respostas trouxe o diagnóstico: erro inato do metabolismo (acidúria glutárica). Agora, Theo tem leite especial, dieta restrita, remédios e esperança. Neste mês, ele completa dois aninhos com uma rotina bem diferente das outras crianças. Passeios na praça? Quase não dá tempo. São muitas sessões com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, equoterapia, médicos, exames...  Theo quase não experimenta novos sabores. E vai ser assim a vida toda. A carninha que o vovô produz com tanto carinho e que adorava dar ao neto precisou ser retirada pra sempre do cardápio. A dieta é absurdamente restrita. Basicamente, legumes, frutas e um leite que custa uma pequena fortuna e que tá longe de ser gostoso pro paladar da infância.
Difícil? Nossa! De partir o coração. Mas Theo abre um sorrisão daqueles e aceita: o leite ruim e as dificuldades. Injusto? Sim, eu acho. Injusto com ele, injusto com a mãe, injusto com a família. Mas, o sorriso se faz necessário pra assegurar a leveza. Theo parece já saber disso. Tenho uma admiração danada pela minha amiga. Ela é daquelas mães incansáveis (e invejáveis). Coloca o filho no colo e desbrava o mundo em busca de respostas que possam trazer um suspiro de alívio que seja. Pro Theo e pro coração de mãe. No apagar das luzes, ela desaba. Mas quando o sol desponta as pernas estão firmes de novo: pra carregar o filho e o peso que costuma acompanhar o coração de mãe. Sim, a dor é profunda. Daquelas que não têm cura. Mas, é preciso seguir em frente. Ela sabe, e segue. Theo? Ah, tem sempre um sorriso doce pra cada lágrima que escorre dos olhos da mãe. Como se dissesse: obrigado, mamãe, por tanto amor!
La, minha amiga, eu sei que é muito doído refazer os sonhos. Viver a diferença assim, tão de perto, é um desafio gigantesco. Lembra daquela vida que a gente tanto projetou entre um gole e outro de vinho? Pois é, não aconteceu. Respire fundo, se reprograme, deixe a vida te mostrar outros caminhos, outras belezas, outras alegrias, outros sonhos.
Sabe aquelas primeiras lições que aprendemos na universidade de jornalismo? Toda matéria precisa responder cinco perguntas básicas: quem, quando, onde, como e por que. Talvez a profissão tenha nos ensinado a procurar respostas objetivas demais. Mas, nem sempre é possível encontrá-las. QUEM pode transformar a forma de compreender a adversidade? Você mesma. QUANDO? Ao seu próprio tempo (mas que ele não se demore...). ONDE? Esse é um advérbio que cabe tantas interpretações! COMO? Ah, quem me dera pudesse te dar esse caminho, minha amiga. POR QUE? Ah, pra essa indagação, não há resposta. Simples e difícil assim. A mim cabe desejar a melhor notícia, sempre! Mas, se a manchete que desejamos não puder ser escrita, que sejamos capazes de perceber a beleza das entrelinhas que toda história carrega. Amo você.

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